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terça-feira, 27 de novembro de 2012

OCASO DO ALVORECER, ESCOBOÇO



CAPA:
Ateu Poeta

CORREÇÃO:
Rosimar Brito,  autora do livro "Ditames Do Coração". Historiadora e Escritora. Formada em Estudos Sociais e pós-graduada em Administração Escolar.
&
Adriana Arruda, mestra em Administração Empresarial
DEDICATÓRIA:

Em memória de Cristiano e Tati Oliveira que deixaram um infinito vazio em meu coração. 

A ele dedico a poesia A morte Do Capoeira; a ela dedico Ocaso do Alvorecer e Escuridão Profunda dentre outras que fiz mas que guardarei para próximos livros. 

Ambos morreram muito jovens e é isso a que o título do livro se refere; um ocaso forçado quando deveria ser ainda alvorecer em suas vidas. 

Ateu Poeta
30/04/2014

1
A MORTE DO CAPOEIRA

A capoeira, hoje, ficou menor
Um vazio se estende durante o dia
A juventude abreviada
O capoeirista não acorda
Seu talento se perdeu para sempre
Agora, a lembrança embala
A canção, o berimbau, o pandeiro e o atabaque
É tão estranho, mas todos, um dia, morrerão
Só não precisava ser assim, cedo demais
Deixando para trás todo o potencial
Os ideais e os amigos sem resposta
A capoeira foi vencida pela tristeza
O capoeira nunca mais jogará

ATEU POETA
7h e 37 min

2
OCASO DO ALVORECER

A vida é a mesma mortalha que nos fez nascer
Como é triste o alvorecer virando ocaso
Acasos fatais nos levarão novamente ao caos do universo
Viraremos simples versos de um poeta sentimental

Um dia haverá luz
No outro a escuridão total
Não seremos mais que memórias
Na História renasceremos

Em tudo que antes fomos nos transformaremos
A morte é apenas um regresso à matéria original
Apesar de não ser o bastante para o coração calar
Um retrato na estante melhor falará

Ou trará paz sem a presença de antes
O infinito se faz a cada instante

ATEU POETA
1:1
19/04/2012

3
OS ANJOS TOCAM VIOLINO

Um Fá sustenido em teus lábios
Hum! Quero beijá-los com amor febril
Dó com sétima em teu seio
Pestana em Si e o receio de não saber
As menores angústias
Que dominam a ti
Das maiores dores que senti
Tua falta é aquela real
És meu Sol matinal
O Mi em mim no raiar de meus dias
Oh! Sinfonia, tenha dó deste escritor!
Ré nos tribunais do amor
Vou prender-te Lá no Céu
De meu âmago em sonhos
Andante passan de catavina
Prima donna, roubaste meu coração
Pagarás com uma canção de limiar arpejante
Tarantella, meu sopramo belo!
Si non é vero, é bene trovato
No Firmamento há uma orquestra para ti
Os anjos tocam violino
Enquanto eu finjo ser o maestro
Empunho a canebatuta
Vejo-te a bailar
Tocas com os pés o piano em meu olhar
Teu semblante me faz triunfante
Ao compor-te com porte musical
Matemática artesanal do pensamento cognitivo
Poesia, és meu forte cativo
Adoro-te, no imaginário ideal
Abraço-te, por seres surreal...

ATEU POETA

4
SINFONIA MAGNÉTICA

 Poesia é tua boca
O teu seio, maresia
Teus esses, a essência do esplendor e fantasia
Em meus sonhos, surreal
Ao me ver, tão fugidia
Mas teus olhos me atraem, magnética sinfonia
Teu corpo é violino de natural maestria
A natureza te fez para minha doce agonia
Poeira-cósmica de galáxias, És espectro do desejo
O universo por teu beijo, musa de cristal
Partículas químicas, em milhões de anos, talvez
Deram-te vida em formas sinuosas sem igual
Tempestade-nebulosa, és canção do meu dia
Limiar universal de tudo em que há sentido
Pois sem ti apenas o vazio é sentido
Pelo próprio lirismo extasiado em tua figura enigmática
Menina supernova, és a diáfana explosão da maiêutica
Cataclisma da lógica pura que me guia
Ebulição dos vulcões no sistema límbico
Pane no esquema dos corações
Nenhuma equação decifra teus filamentos neurais
Corrente de pensamento ao poema te traz
Quais os critérios para a tua real conquista?
Dê-me uma pista para o que te abrasa o ser!
O amante que te abraça eu queria ser
Mas não sei se poderei te conhecer
Nada mais sinto, sou sintagma a fenecer

ATEU POETA

5
SENHORA DO CAOS

A vida real não tem trilha sonora
Teus olhos, duas bolas que prendem meu coração
Gaiola das minhas asas
Abrasas sem dar calor

Se esvai em vapor
A pouca razão da minha trajetória
Fascinação peremptória
História longínqua

À míngua, eis um poeta em solidão
À deriva nesse mar de ilusão
Abraçado à imagem
Perdido, à margem do mundo

À sombra da tua aurora
És senhora do caos profundo

ATEU POETA
27/10/2012

6
SORRISO DE MELODIAS

Quem sabe...
Se o mundo não foi feito em oito dias
Ou teu sorriso construído de dezoito melodias
Será que hei de cantá-las algum dia?
No violão de teu corpo
Com microfone de minh’alma
Todas as placas traçam o mesmo rumo
Sumo...
És naturalmente encantada
Surgiste de meus sonhos
Os olhos meus suspiram
Transpiram
Deliram
Quando refletidos aos teus
Fugiste por acaso do Éden?
Por que estais livre de meus braços e presa em minha mente?
Só deveria ser tímido quem nada sente...

ATEU POETA
Fortaleza-ceará, 2004

7
VALKÍRIA

Verve é o verde dos teus olhos de maré
Em tua boca mora céu de Júlio Verne
E o inferno de Dante que me aquece
Mulher: mais perigoso jogo de Nietzsche

Brinquedo na estante de Afrodite
Segredo da natureza no desiderato instante de frenesi
Razão inconstante da evolução darwinista
Poesia da vida sob a pena simbolista de Florbela

Estrela de Cecília em noite de aquarela
Carisma em beleza, guarida e afã
Paz em caos, impossível não querê-la
Aventura de querela e mar de avelã

Estação paisagista na ópera de Wagner
Valkíria do Valhala, faz da Terra rara fantasia

ATEU POETA
3:34
10/07/2011

8
FERA À SOLTA

A longa espera é quimera em meu coração
Nessa esfera azul e infinda
A flor mais linda reverbera na primavera do teu olhar
A virtualidade é lugar que alitera

A poesia é fera em mim que se solta
Pelo universo à solta
Dá a volta nas galáxias
Supera qualquer reviravolta

A ópera de Vivaldi transcende a Via Láctea
Matemática sonora que opera a mente mais insone
Teu corpo é canção de notas surreais
Frisson de amálgama em cada filamento neural

Tudo fica inverso
Nem sei mais o que é verdade e o que é verso

ATEU POETA
3:38
06/07/2012

9
DIVA NEGRA

É preciso sentir a solidão de mil mundos para que da dor a poesia prospere
O furor mina o instante de calmaria por que nada jamais será imbatível
Ninguém vive a ponto de ser inatingível ou imortal
A vida é feita de forma que a arte impere
Só quero, dama, do teu sabor um ampére desiderato que ao poeta ampare
Me ressuscite
Porque a beleza feminil excita a ponto da própria decadência da morte sublimar
Eleva tanta jactância que cada entrância vira instância do prazer mais supremo
A mulher é a flor da real estância
Rainha de tudo que é surreal
Louco é quem a renega
Diva negra que supera o simbolismo da razão da letra mais fiel
Dá sentido a existência
Faz fenecer da tristeza a essência e florescer da manhã a virtude com afã infinito que transforma a literatura em fã
Aquece o coração mais álgido
Suprimindo em festa a carência da paixão mais nefasta
Na mais fantástica fantasia que o mal afasta
Doce maré de avelã
Fascinação à revelia
Faz sumir o chão com o olhar e um sorriso mais lindo que o mar que inebria

ATEU POETA
3:40
Pacoti, Ceará
14/03/2012

10
SORRISO VIRTUAL

Teu sorriso contagia
Com uma alegria estranha
Um carisma que chega
Às entranhas do pensamento
Só lamento a distância
Que a vida nos impõe
A natureza te compõe
Feito linda poesia
Tens um quê de harmonia
Que intensifica o dia
Em leveza
E brilho surreal
Que esse mundo virtual
Em silêncio cadencia

ATEU POETA

11
SÓ A FELICIDADE EXISTE

Teu sorriso tem um quê que me fascina
Raro diamante a iluminar o céu
Dos pensamentos infinitos
Linda menina
 És a razão de toda a poesia
O universo só faz sentido no brilho do teu olhar
Tua imagem justifica milhões de anos de evolução
E bilhões, até que do carbono surgisse a vida
Da existência és melodia
A emoção surge no coração mais petrificado
Em teu regaço o paraíso está guardado
A teu abraço nenhum poeta resiste
E toda a dúvida se desfaz
Só a felicidade existe

ATEU POETA
11/02/2012

12
NÔMADE

Morrerei neste estado
Minha musa em qual Estado me espera?
A vida é mesmo uma quimera
A perfeição tão longe me corrói
Nem sei mais se a solidão que dói
Ou se este abismo dilacera
Devia eu ter outro lar
E nunca aqui estado
Pra não ter um peito perfurado
Num engasgo que não consigo cantar

ATEU POETA
23/01/2011
Fortaleza, CE
8h e 38 min

13
EURÍDICE

Tudo é tão abstrato quanto virtual
Quando sairá no extrato o teatro da desfragmentação racional do silício?
Viver é mesmo um risco, uma louca aventura do ocaso que gera casos ao acaso
Caso seja um descomunal caso do desatino, uma vez que destino não existe também a perfeição não há; o que não impede o impávido de buscar numa luta torturante com a ilusão
E na desilusão o que fará o coração do cavaleiro errante?
Tão incerto quanto o deserto de Dante em sua longa jornada ao encontro da antiga amada, atendendo ao místico chamado
Cruzada do passado que não convenceria Kant
Qual sabiá que não cante diante da aurora em aquarela por não ser o mesmo de antes, também o poeta esquece a canção perante a poética apostasia
Talvez faleça qual borboleta em chama de falsa estrela-guia
Valerá à pena jogar todas as fichas no ideal mais raro?
E se a aposta custar caro, que fará o perdedor?
A porta se abrirá ao Sigurd salvador ou se fechará em mero sonho?
Por que a flecha com esmero não feriu outro Homero, Orfeu, ou Platão?
Desferiu com tanta precisão o alvo preciso?
Qual a maior prisão, utopia ou solidão?
_Em meu peito arde uma alegria triste, profana, por que acha que se engana o desejo a si mesmo
Entre a ânsia do beijo, angústia geográfica e o medo de ser um erro os pensamentos vão embora
A falsa paz de outrora já quebrou o elo
Consigo mesmo travando um duelo entre razão e instinto talvez o gladiador seja extinto pela própria nostalgia
Não importa se é noite ou dia, ou se o presidente morreu
_Neste instante morro eu, o poeta encantado pela inatingível donzela que tingiu imagem tão bela na imaginação do ser mais desatento
Mas, será que ela existiu?

ATEU POETA
Pacoti-Ceará, 26/01/2011
11h e 53min

14
FORTALEZA

Sim, teus belos olhos me fascinam, teu rosto me atrai e tuas curvas me dobram o senso
É verdade que tenho pressa, mas quem não teria quando tão curta é a vida?
Sinto se emudeço, mas quem nunca perdeu a fala diante da beleza?
Espero, mas não pra sempre, agir é preciso e faz parte do viver tomar decisões
Mesmo que minhas fortalezas desaguem me fortalece o intenso momento que passou
A felicidade é simples, nós é que inventamos desculpas para não tê-la por completo pelo medo talvez de arrepender-se
Se faz necessário do temor desprender-se

ATEU POETA
2 h e 20 min
16/02/2011
Pacoti-CE

15
GLACIAL

Tua boca é o pergaminho da mais bela literatura
Da poesia o lirismo em ternura embebido
Que gera aforismos de cristal
Teu corpo, o caminho dos meus sonhos errantes, tímidos, delirantes
És canção monumental que faz vibrar meu peito
Estátua artesanal da natureza em sofismo
Não te possuir é a dor mais intensa e fria, glacial

ATEU POETA
2011
Fortaleza-CE

16
AMARA

O poema traduz tudo que calo
Cura os calos raros da razão
Na emoção que seduz
Traz paz ao coração

A pena é imensidão de luz
Reduz a pena que o mundo prega
Onde o poeta mudo renega a pena de si mesmo
Muda sem sombra de transubstanciação

Estância que demais demora
Aurora dos mais sublimes dias
Amara amara maré de amora

Amar aprendia
Mas essa poética não é de amor
Pura estética sem nostalgia

ATEU POETA
00:22
28/03/2012

17
DEUSA AMORDAÇADA

Os gregos se inspiravam nas deusas para compor
Nas mortais é que eu piro
Elas que me causam o delírio de ser poeta
São o real portal da poesia
Portadoras da beleza de maestria mais sublime
Carregam consigo uma força quase surreal
Levam do céu ao abismo
Resgatam do inferno mais profundo
Os que as tratam como produto no tráfico europeu
Envergonham a própria essência do menor pedaço de matéria
 Não merecem nenhuma de suas artérias
 Pois profanam a razão de ser do mundo
Das mulheres é que o prazer emana
Nos dão afeto
Abrigo
Alimento
Pulam de peito aberto no perigo mais cruel
E ainda entram nos padrões exigidos por cada sociedade
Cada mulher tem em si uma força semântica que nem sabe
Conquista qualquer sabre
Constrói monumentais castelos
Derruba muralhas
Cria elos
Seduz Zeus e Eros
Faz do covarde herói
E apesar de tudo é subestimada
A gana de deusa faz morada em cada escrava sexual

ATEU POETA
Pacoti-Ceará
4h.
17/03/2012

18
FLOR-MULHER, A PRÓPRIA POESIA

A mulher é Floranjo a voar na mente
Absorta do Poeta insone
Em si mesma é poesia
Base de todas as artes
Musa e utopia
Afago de ufanias
Dá-me asas, óh Bela Fantasia!
Faz-me crer no fim da nostalgia que me consome
Traz-me o fôlego que perdi no dia-a-dia
Enquanto a vida não me some
A mais um daqueles que se vão
Quero bailar contigo um
Fervoroso tango de ilusões
O verdadeiro é vão...

ATEU POETA

19
AVE DE RAPINA

-Quem dera ser
-Na aurora mais soturna
-Um voo de eufemismo 
-Ave de outra era

-Gavião branco a caçar
-Falcão peregrino do ar
-Coruja negra mais noturna
-Fera à solta sem bando

- Rapinar a Baviera
-Sentir o infindo azul nas asas
-No céu estar em casa
-Longos sonhos de menino

-Para a primavera florescer
-Sem mero medo de quimera

ATEU POETA
15/11/2012

20
ASAS AZUIS

-Azul 
-Cara cor de querelas
-O blues dos olhos dela
-Lápis lazule dos senhores

-Esplendor de mil bandeiras
-Orgulho de países e hinos
-Tua simples existência
-Faz feliz hirtos ferinos 

-Do céu ao ultramarino
-Quantos por ti morreram?
-Continuas nas safiras
-Diamantes que esmeram

-Dos colibris mais belos
-Às mais raras flores

ATEU POETA
14/11/2012

21
EVANESCENTE

Ela desapareceu dos meus braços e meus passos a seguem em poesia
Por vezes penso que esqueço, perco o senso, a vejo aqui perto
Quem me dera ser pedra, jamais sentir nostalgia, porém sou um parco poeta que não enfrenta as quimeras da vida
O amanhã é uma mera caixa de Pandora que vira mausoléu
Hoje a dor é mais forte que a canção, mas quem sabe o que virá ao léu?
O tempo passa sem existir e nos apaga de muitas mentes, umas juram que entramos para a sua história, outras profetizam o delete
No fim, todas as tristezas serão estórias sem leitor, então, pra que, poeta, insistir em transcrever?
O verso é, por acaso, o leito do letárgico escritor?
O breve futuro é evanescer

ATEU POETA
16/02/2011
Pacoti-CE
2 horas

22
TUA NUDEZ

Tua nudez, oh! Bela!
Veste meus olhos de sonhos
E o mundo de alegria
Produz mudez à primavera
Envergonha as deusas
E encanta os mortais
Abre portais para paraísos negados
Torna imortal e santo o pecado
Com a transubstanciação do desejo consentido   
Tudo fica mais lindo com o toque do teu beijo

ATEU POETA

23
RAZÃO DO SONHAR

O sentido da vida não está na continência que se presta
Talvez se esconda na iminência do incontinente
_Sentido!_ Dirá o incontinenti às leis intransigentes do universo
Meu verso longo diminuirá o tempo ditongo no inverso do hiato que não sou?
Onde cantam as partículas que vêm e vão num verdadeiro-falso eu?
Morrerei sem compreender os aforismos do teu olhar
Sem navegar nos sintagmas de tua mente
Ou mergulhar no infinito do teu continente
Que será de fato ser gente?
Os desejos atêm o instinto ou o caráter que me tem?
Viver será um desdém ao deus-dará?
Um sorriso me apaga ao luar
Esqueço qualquer indagação
Perdido na razão do sonhar

ATEU POETA

24
MÔNICA

Música é a ânima da poesia
Fantasia magnânima de ateu sem alma, céu, inferno ou purgatório
Grande idiossincrasia do real em precatório
Prazer artificial que me liga à natureza
Beleza paisagista de leveza surreal
Aprimorada pela femme fatal
Na pista
No palco
Ou na mente artista
O feminil traz um próprio quê de austero
Aroma que inebria a fio a festa
Atesta o que o poeta cria
Ao dançar com maestria
Embala todo o desejo
O seu beijo deságua qualquer agonia
Faz tudo entrar no ritmo da harmonia
Em seu corpo a matemática perde os logaritmos
Sobra apenas o algoritmo do sonhar
Das ciências só existe a química mnemônica
Sob a mímica astronômica mais simples do ciúme
A História em seu perfume se transformará
Tudo vira sinestesia em Mônica
Frente a esta presença que se faz constante
O universo é pura consoante
O diamante mais preciso é a fascinação do seu suave gemido de amante que preciso
Na sua boca de carmim a foz da existência se resume
Vogal doce da vida num buquê de rosas vermelhas
Que deixa o poeta sem voz

ATEU POETA
21:05
02/04/2012

25
SEM MUSA

Todos os caminhos percorro
Feito pássaro sem ninho
Sem carinho passa-frio
Sem calor, só calafrio
Espinho da solidão perfura o peito
Triste leito sem socorro
Sem musa morro

ATEU POETA

26
JOGADORA

Vida: jogo ou magia?
Maestria em teu corpo de utopias
O mundo ficou nu
Lábios que escondem verdades

Frenesi de mocidade nesses olhos de maré
Força de mulher que encanta com destreza
Fortaleza de frialdade ou surfar em Malibu?
Fator artificial fere vários artifícios

Variável fractal do inanimado dito morto
Porto para outro estado de matéria em frágil ofício
Parto: sinfonia magnética fragmentária
Pó de estrela, carbono e fusão, sem secretária

Explosão para o caos da Via Láctea 
Razão sideral de todos os paradoxos arbitrários 

ATEU POETA
06/10/2012

27
MINERVA

Minerva
Das trevas me resgatas
Tua tocha racional
Para Zeus ingrata

Sofre Prometeu pela bravata
Zaratustra despedaçado
Toca seu ditirâmbico violino
Renovado em teu seio

Entre o regaço e o receio
A deusa traz sabedoria
A humanidade faz mau uso do fogo
Das ervas criou-se o tráfico

Era onde a guerra é um jogo
De furor e nostalgia

ATEU POETA
23:41
05/06/2012

28
ASAS SIDERAIS

 Não corte minhas asas
 Voar é a minha razão
 Meu mundo é o espaço sideral
 Em cada estrela e constelação

 O chão é profundo abismo
Triste aforismo de perpétua prisão
 Quero prisma ao invés da caverna de Platão
 Iludir-me com ouro de tolo já não traz satisfação

O sonho mais alto é a meta que traço
Laço sem qualquer consternação
Liberdade é a vida em palimpsesto
O carpe diem passado a limpo

Onde o traço do verso se aprimora
É lá que mora o meu coração

ATEU POETA
1:00
20/07/2012

29
LETÍCIA

Letícia let’s go
Vou para a pista
Meu impulso de artista é voar
Consagrar, nessa dança, o teu corpo de carícias

Ser malabarista que te encanta
Acalantar a tua linda poesia
Enquanto canta o teu desejo ardente
O teu sorriso ilumina uma estrela cadente

Do colibri à libido és o sonho que preciso
O jardim da beleza mais precisa
Mora em teus olhos azuis
Minha cruz é não gostar de blues

O vinho da paixão não veio
O víride no vidro desse chão terá freio?

ATEU POETA
8:07
02/07/2012

30
FEMME

Meus bucólicos olhos
Em teu sorriso se perdem
Em tua boca mora o paraíso
Teu corpo é o monoteísmo de um ateu poeta

Que os céus não me deserdem
Templo de beleza que vicia meus filamentos
Mil pensamentos
Todos de contemplação

Femme fatal
Nem os quadros de Magritte
Ou as notas de Chopin
Fariam tão nobre Afrodite

Em Neverland de Peter Pan
Teu olhar me congela, acredite...

ATEU POETA
1:12
01/06/2012

31
ÁTOMO

A vida não é movimento
Por que, de fato, nada para
E é coisa tão rara aquela que não está morta
Não há nenhuma porta

Para nenhum paraíso
Nenhum inferno
Tudo é eterno, mas só em essência
Tuas carências sanadas ou não, morrerás

Porque és mero defeito
Nada jamais será perfeito
Ou não seria real
E o movimento acabaria

Nem teria começado este momento
Não voltarás para o pó, mas para o átomo

ATEU POETA
6:51
11/06/2012

32
VAMPIROS E DEUSES

Hoje os deuses sagram
Vampiros assombram e se fartam
Mesmo demônios desandam
A humanidade arde em loucura

Usura é pecado e crime
Mas, nenhuma lei reprime
A cultura já instalada
Na estalagem uma cilada

O cálice cala qualquer um
Ídolos célebres sem valor
Moldam o mundo a seu favor
Poetas incríveis se perdem nas ruas

Sem glória nenhuma
Nem lugar na História

ATEU POETA
3:56
08/06/2012

33
LOBO GREGO

São tantos lobos em pele de cordeiro
Estúpido tribunal dos urubus
Que se perdem rebanhos inteiros
Os rios vermelhos já foram azuis

O céu já não reluz o verde das montanhas
O forasteiro se banha na luz alheia enquanto a reduz
Rouba ideias e ideais
Quebra telhados e sonhos sem fim

 O pastor pastora tudo de coração ferido
Reforça a cerca entre escombros aferidos
Máscaras se partem para além
Há gregos por toda parte

Agregados entre cegos que dizem amém
Egos faíscam sempre em esgrimas desnecessárias

ATEU POETA
6:47
19/06/2012

34
O GRITO DE GOL

Questionadores calados são vapores
Atores alados no asfalto
Um caça fere as janelas do planalto
Eleitores amarrados a favores de elite

A lei anula seus próprios caçadores
Nem os franco-atiradores barram a cachoeira
Escusas franquias à brasileira
Transgressores querem habeas-corpus

O euro não salva o ouro europeu
Onde o capitalismo escondeu o tesouro?
Ainda vive a lenda do Besouro
Afrodite engana os tolos fariseus

Futebol é o maior ópio do país
O povo grita e finge que é feliz

ATEU POETA
3:00
03/07/2012

35
INSANO SANATÓRIO

O mundo é um sanatório insano
Onde a verdade é sacrilégio
O poder é privilégio usurpado
E a arte ludibria

Crime, pecado e razão não se entendem
O plagio é chamado de genialidade
A criatividade alcunhada de hipocrisia
Quem rouba a ideia recebe o credito

Quem merece o mérito é conhecido como ladrão
O escorpião é feito de hóspede
O coelho é acusado do ferrão
E nunca se prende o culpado

ATEU POETA
2:38
08/06/2012

36
SHARON STONE

      Nenhuma diva mora ao lado como no cinema
      De repente uma Sharon Stone fosse dilema
      E o instinto selvagem haveria
      As câmeras escondidas seriam destruídas no final?

       A moça loira seria ideal?
     As atrizes são tão lindas com maquiagem e fotoshop
      As verdades dos filmes não se aplicam à vida real
     Os novelos das novelas nos trazem mentiras repetidas

   E propagandas sem fim
  A garota não está ali
  Nunca esteve
  A dama de vermelho de Matrix não percebe meus olhares

  As valkírias moram longe demais
  E eu não tenho cara de Siegfried

ATEU POETA
6:09
26/04/2012 

37
LINGERIE

As mulheres do televisor
São iguais às reais
Só que siliconadas
Modificadas por foto shop

Carregadas de carmim
Blush
Pó de arroz
Rudge

Purpurina
Caro esmalte
Chapinha
Roupa da moda

Vários tipos de linguagem
O espelho da razão derruba toda a maquiagem

ATEU POETA
22:53
21/05/2012

38
REVOLUÇÃO

(versão soneto)
Sonhei com um mundo diferente
Eu não podia acreditar
Em tanta coisa dessa gente
Tão estúpida e atroz

Mais um dia, sigo em frente 
Temos que acordar
Porque tudo que existe
Na essência é igual

Toda a beleza é igual a nós
Os monstros, o universo é igual a nós
Mendigo, deputado é igual a nós

Bancário ou favelado é igual a nós
Não deixe os poderosos no poder
Faça a revolução

ATEU POETA
20/03/2012
7:00 AM

39
DAYMON

Para o poeta
A poesia é o mais próximo do ânima
Aquilo que aprendemos a chamar de alma
Seu sentido de existência e alegria
Apenas a musa é seu real sustentáculo
Que os gregos chamam Daymon
E o tempo romano de Demônio denomina
A verdade é que a mulher é a única mina
Fonte dos tesouros mais caros
Da sublime inspiração
Que justifica a transpiração sem igual
A única razão de ser de todo artista
Símbolo natural de maestria e beleza
Sem a qual a pluma perde a total destreza que a guia

ATEU POETA

40
VIL COVIL

O poder faz da verdade um dégradé.
Cria alcunhas mil quando teme o tête-à-tête.
A força da prata ultrapassa o direito da massa
Por que a História se repete
Mentira, clichê e démodé já não são palavras novas no covil
Em discurso sofista e voraz  
Com graças de encanto
O abutre domina feroz
Rege com a falsa bondade
Sem o mais sutil acalanto
Afunda a balsa que inova
O medo é uma arma eficaz
Áureo ás na manga do algoz
Ateia guerra ao que aprimora a voz
Dança com o terror uma valsa
Comina grades fortes à liberdade
Prega humildade enquanto é vil
Transforma lobos em ovelhas
Chama idiossincrasias de razão
Faz lavagem-cerebral em suas orelhas
Faz nonsense do bom senso
Instaura cavernas de Platão
Se diz democrata
Com hipocrisia que mata
Destrói a cidade e a mata
E corrói seu coração

ATEU POETA

41
SEUS OLHOS AZUIS

Sonho: simples sinestesia da razão
Senti seu perfume-saudade no ar
Meus versos são seus olhos azuis
Duas bolas de safira que perfuram o senso do mundo

Seu corpo é miragem
Labirinto onde mil vezes me perco moribundo
Mar de ilusão profundo
O universo é sinfonia de excesso e escassez

Que não me fira nenhuma solidez
Poeta não tem escolta
E as escolhas são instinto à solta
Estamos todos em extinção

Essa vida é só fração sem volta
Fascinação é você, não tem outra

Ateu Poeta
4:55
10/05/2012
Pacoti-CE

42
MECANISMO SUBATÔMICO

      Não é a vida mais que uma fração
      Mecanismo subatômico em estrutura nada firme
      O que nos define como ser realmente?
       Somos semente de seres que se vão

    Em vão tudo finda
    Não existe nenhuma razão para existir
     Embora haja sentimentos pela veia poética
   O lirismo que enfeita completa essa doce e mera ilusão

   E a morte, tão megera, nos deu a vida que leva
   Mas nada se fez de fato
   Tudo sempre esteve a rodar no defeito da matéria
   Viemos do berço da cratera de alguma essência cósmica

  Da poeira estelar por explosões astronômicas
  Mas da fusão é que a poesia pulsa a sonetar letras harmônicas

ATEU POETA
10:12
20/04/2012

43
CULTA DITADURA

A cultura é uma ditadura imposta
Lavagem-cerebral de tenra idade
 Tensa é a mocidade por quebrar padrões
Um grilo rouco vencerá os loucos, Pinóquios e outras pedras?
Pular de pára-quedas é mais mortal do que parece
Será o lobo mau?
 Ou maldade é a destreza de adestrá-lo?

Mito, mito, mito
Mil marchas sem brasões
Grito, grito, grito
Penúrias e aflições

Muitas posam de Chapeuzinho
Vermelho é a cor da estação
Temporada de caça aberta
Abra bem seu coração
E os olhos mais ainda
O falso amigo trai
Arquiteta sua queda

Mito, mito, mito
Mil marchas sem brasões
Grito, grito, grito
Penúrias e aflições

Aleije a mão do caçador
Estraçalhe o adestrador
Rebata choque com trovão
A audição do inimigo não é pára-raios
Seja relâmpago paralelo
Encandeie quem tenta lhe apagar
Faça da razão um elo

Mito, mito, mito
Mil marchas sem brasões
Grito, grito, grito
Penúrias e aflições

ATEU POETA
PACOTI-Ceará
1h e 12 min
19/09/2011

44
DEMÔNIO

A minha face oculta o teu algoz
Alvoroço pela imagem negada
Cravei, veloz, em teu pescoço espada
Sou ateu, tudo de sagrado morrera
Minha vertente feroz não fenecera
Não passaste de pintura deformada
Pela megera Igreja construída
Amargurada, torpe e consumida
Por insanas mentes desumanizadas
Parece, hoje, uma doce piada
Assombrar-me essa tremenda ilusão
O grande Inferno eterno explodi
Com mil granadas na mão o Céu invadi
Mar-vermelho sem Egito, nenhum brasão

ATEU POETA

45
TRÁFICO

Tudo é produto a traficar
Drogas
Armas
Mulheres
Órgãos
Crianças

O que mais a se roubar?
Sonhos
Vidas
Esperanças

Quanto a transportar?
Bilhões
Trilhões
Até o mundo desmanchar!

É um rastro só de sangue
A fonte há de jorrar
Nada mais a declarar

ATEU POETA

46
O SIGNO DO LOBO

O poder paira sobre os seus propósitos com as garras de rapina estendidas na perseguição à lebre
Enquanto armas de fogo permeiam o dia e a noite sem temer punição
Sempre é diagonal a trama secreta acima do bem e do mal
Para quem patrimônio é sinônimo de cabresto a História não é assunto destro
―Deixa estar que te adestro ― Diz o caçador enquanto o lobo uiva a fugir para a selva enquanto a floresta existe
Mesmo sem as árvores a selvageria estará sempre consigo
A liberdade naturalmente é seu signo
Caçador vira presa
A natureza é maior que a mesquinhez humana
Lobo caça caçador

ATEU POETA

47
ÁGUIA-TROVÃO

A verdade rasga
Queima e mata
Pesa sobre os ombros de quem conduz

Verdade é a cruz do não-Cristo
É o crime imprevisto com punição digital

Hermes, testa de ferro de Zeus
Impôs a pedra eterna a Sísifo
Por sobrepujar Thanátos e Hades

Um mero mortal fugiu das garras da morte
Mas não pode desafiar os deuses sem ir para o Tártaro

Perdera o Monte Eleusis
Mesmo sem moedas para Arqueronte
Passagem direta sem o Queronte
Por apontar o defeito da águia

ATEU POETA

48
ATÉ NANDO

Até Nando é hostilizado
Por não comer da hóstia vil
Saber que vinho não é sangue
Salve, salve! Meu Brasil de livre arbítrio

Hipocrisia do Estado Laico
Religiosos pregam Inferno aos bons
Fazem o Paraíso fiscal dos maus

Até Nando! Até quando?
Atos torpes da mais profunda ignorância
Intolerância contra quem canta sua verdade

Atores do século XXI
Queriam estar na Idade Média
A Idade das Trevas acabou
Mas as bestas andam soltas pelo mundo

ATEU POETA
Pacoti-Ceará
09/09/2011
18h E 34 min

49
PRESENTE

Para sempre nada há de ser
Seja, então, minha
Para o sempre que vier
Para o então de agora
Senhora, seja minha manhã
Doce avelã da poesia, aurora
Pois tudo o que há é o presente

ATEU POETA

50
CRIME

Sou mero poeta, cara musa!
Ínfimo a
Na longa lista do universo
Analiso lindo verso
Teu corpo nu expresso
Em linhas derrapantes
Em cada curva me perco
Em inteira adoração
És Afrodite, deusa do amor
Tens meu louvor
És sedução
E eu, um ateu mudo
Diante de ti, sem temor ou razão
Sem coração errante
Livre colibri à procura
No jardim sagrado
No templo de teu misterioso monte
Teu beijo é néctar que mata e cura
No inverso do olhar me tens
Pelo avesso
Do reverso és fonte
Doravante o pensamento mais complexo
Perderá a hermenêutica mais sutil
Virará expressão do amplexo
Enquanto a vida é tão vil
Cada ser é seu próprio capataz quando se reprime
A nostalgia do não nenhuma paz suprime
Acalme, de repente, com canção de orquestra
Tua beleza é festa
Deusa fugaz
És um crime!

ATEU POETA

51
FERA MORTA

Tua luz é ilusão
Cega o sol que celebra
A cruz prega o que o poeta nega
Pouca lebre na febre ébria

Quem de fato esteve sóbrio algum dia?
A própria vida é um grande delírio
Um suspiro e tudo evanesce
A razão tece onde o sentimento permite

Se esvairá o peixe e o pão
O chocolate adoçará a imensidão
Ninguém mais irá pescar
Porque o mar já não existe

A besta é uma fera morta
Nenhuma porta haverá

ATEU POETA
10:30
07/04/2012

52
ODE AO ENCANTO

Encanto, em teu nome amigos se traem
A serenidade se desfaz de toda a sobriedade
Amores se contraem
O ódio aflora o eixo das virtudes
Estas por si mesmas não valem
Nem mesmo o tempo a elas desperdiçado
Em elogios supérfluos
São mentiras que movem a todos
Beleza, força, perfume e sapiência nada são
Sem o agente perceptor, receptáculo de olhar turvo
Caçador de latitudes
Transeunte da suposta matéria imortal
Poeira-cósmica
Não sabe porque vive, mas se encanta
E acalanta sonhos infelizes
Quando se abrem as cicatrizes químicas
Na torrente das incertezas astronômicas
A natureza nunca foi harmônica
Embora, repleta de gás hélio
Que tudo forma em teoremas
De tabelas periódicas
Ou em gráficos de Gals
O mundo é um caos e não as nuvens de Magritte

ATEU POETA
Pacoti-CE
 26/09/2012

53
VONTADE

Viver é volver-se em prol do tangível
O desejo do inatingível é matar-se de tédio
Desejo não querer nada
Pois o desejo é sofrer em vão
Agora, só tenho vontade
Uma fortaleza racional: frialdade
A destruição é ideia ilusória de quem teme
Meu lema: meu leme
Meu mar: solidão
Ontem, uma valsa
Hoje, silêncio
O que sei nada vale: uma migalha metafísica
Conhecimento: fornalha
Um corpo que arde
Uma mente cansada...
Um sorriso que passa...
Não sei...
Tanta risada esquecida...
Depois das chamas...
Escuridão...

ATEU POETA
Pacoti-Ceará
09/09/2012

54
DILÚVIO

Adoro os reflexos dos olhos
Olho para a triste face da ausência
Quem dera ser navegante
Nessa insólita mente inacessível
Influência incandescente dentro de ti
Imagem magnética em teus nobres filamentos
Em vez de poetas em lamentos, reflexão
Poesia cara
Não esquecimento, mas paixão
Sinfonia rara
De ideia reflexiva a eflúvio
Um dilúvio de emoção
Dueto em vez de solidão
Desejo em teu peito vão

ATEU POETA
Pacoti-CE
15/12/2009
23h e 53min

55
MENINA PAZ

Esses olhos de sol iluminam minhas ilusões mais sombrias
Dia e noite viajo nas curvas caras dessa sinfonia em corpo de mulher
Mas não chego a nenhum caminho para tirar-te de minha mente insana
E penetrar o seio obtuso de teus pensamentos longínquos, profundos, intimistas
És um misto de loucura e caos sem o qual minha sensatez já não vive
Menina-paz, a solidão esconde o desejo
Teu beijo tem sabor da vida mais doce e profana
És tempestade leviana na qual quero voar
Uma vez nas nuvens quem anseia retorno?
Onde se esconde a beleza de Vênus?
Rapel no monte de verde aquarela
Asa-delta em vôo ao templo de Delfos
Não és Pitonisa, mas aqui estão os versos
Basta me olhar para saber qual a inspiração do poeta
Mas, se tu não lês, a poesia não existe
Até o encanto é triste quando tu não vês
E se tu não vens, não existo eu
Fui apenas mais um na multidão imensa
Sem identidade
Que não pensa
Pois, tu és minha razão

ATEU POETA
Pacoti-CE
17/03/2010
9h e 49min

56
ARGONAUTA DE PEDRA

Teu olhar de musa petrifica meus filamentos
Sem pensamentos, viro pedra. Sem Medusa 
Tenho medo da desilusão que às vezes me nostalgia
Teu corpo é um perigoso novo mundo de encanto
Onde desejo velejar, para ouvir teu canto

Nesse peito de pedra bate uma vã correnteza, que pronuncia:
_Quem te faz querer o beijo é a natureza
E o pensamento racional, num repente, atrapalha:
_Isso é fogo de palha, mas logo se apaga
Por que não desistes? Pois o sentimento não se propaga
A beleza é alguma divina realeza?

De teus olhos fujo, pois é causa perdida
Uma bala de realidade me acerta
Desfaz a poesia da vida
Mas não me dá certeza
A ilusão é minha fortaleza
A minha última guarida
Na escrita incerta
De minha mente deserta

ATEU POETA
Pacoti-CE
27/03/2012

57
MENINA DO GELO

Rodopias com tamanha graça no ar
Tanto rodas que meus olhos ficam tontos
Deslizas de tão bela forma
Que pareces aquarela de andorinha a voar
Bailarina de brinquedo
Nem imagino o segredo
Que te faz dançar
Sei que medo algum te domina
Há ouro de minas em teu olhar
Menina do gelo, a platéia gela de emoção
A canção é teu lar
E nela, ora és fascinação
Ora pareces o chão dominar
Sob teus pés nada tem importância
Toda a luz emana de ti
A poesia é teu par
Estrela e ginasta
Musa de elástico
Ave do balé
Formosa
Mais que linda, és poderosa
Diva, divago em ti
O outono em jasmim
No balé-cósmico do prazer visual

ATEU POETA
30/03/2010

58
AOS AMIGOS

A cada dia a poesia me acolhe
Mas, já não é o bastante
Pois a solidão me aperta o peito
Sufoco...
As amizades antigas às vezes nos tiram do sufoco
Mesmo sem saber
Amizade é certeza de que não estamos sós
Nesse mundo caos
Onde pessoas nos ferem
Talvez sem querer
Mas o poeta não está só
Neste momento
Podemos dividir nossas dores
Dividendo da cooperação
A tristeza dividida some
A alegria compartilhada vira número infinito
O superávit na vida
É estar com aqueles que são verdadeiros conosco
E que aceitam nossas verdades mais duras
Aos verdadeiros amigos, poesia!
Que a sinfonia da vida não nos separe tanto quanto agora
Mas, se separar, ainda assim, tenho amigos
A solidão nunca mais comigo estará

ATEU POETA
Pacoti-CE
08/04/2010
20h e 30min

59
INALCANÇÁVEL

A fascinação corrompe a poesia mais pura
Por que desejar o inalcançável?
O sonho nos faz querer viver, mas já não posso acordar
A vontade me domina, já não sou dono de mim
A perda é sempre impactante
O que nunca possuí é importante?
Cada derrota mata um pouco, mesmo quando o guerreiro não lutou
Por que a amarga nostalgia o persegue?
És quadro harmônico na arcádia da vida
Arquitetura bela, simples e inteligente
Teus olhos me prendem 
Numa prisão atraente que liberta
Com uma liberdade que outras anula
Mas, não sou teu pintor
O poeta apenas admira a obra-prima que nunca será sua
Dói lembrá-la e esquecê-la
Por isso a transfigura em poética
Queria eu ser estátua imponente, sem dialética
Para não ser um dolente condoreiro e simbolista
À fascinação a poética se curva nessa estrada turva que sigo
Não posso ir pelos caminhos que quero
Nem ter vontade do que desejo
Nem fazer do sonho vontade
Para não perder o foco do querer
Cada sonho por vez
Sê feliz, poeta, apesar das perdas!
Pelo menos vistes de perto o encanto
Não cales teu canto por que o acalanto te faltas
Colhe a estrela mais alta o astrônomo pela vista
Desvendando pistas do que existe de mais lindo
Artista, não fiques triste
Amarre no desejo uma venda de sensatez
Quem sabe, talvez, seja agradável o viável que dê sustento
Mas, a quem engano?
O intento que nos move é o inalcançável!

ATEU POETA
Pacoti
26/04/2010

60
BEIJO EFÊMERO DE PSIQUÊ 

Teu beijo é desigual iguaria, criatura serena
Os deuses te clamam a inestimável existência de prová-lo
Sem ti não sou, sentido me some
Contigo perduro o deleite puro da vida, amor-perfeito em miríades
Querida, conceito do afluente desejo efluente
Candura, oásis orvalhada de sonhos
Ternura, imanência da beleza divina
A verdade te pede licença para contemplar o brilho que emanas
Certeza, és imagem que seduz com louvor e maestria
Anjo, transcendência de mulher em serenata de perfume
Encanto, um ateu te adora
Musa, sou Deus em teus braços
Teus abraços me constroem, literatura
Há primavera em ti, estimável criatura

ATEU POETA
Pacoti-Ceará, 08/03/2008

61
AQUARELA

Será que a vida surgiu num dia de chuva
Sobre a serra atlântica
Embebida nágua desse rio
No reluzir de relâmpagos
Sob cúmulo-nímbus
Na cadência poderosa de raios tempestuosos
À voz afônica dum falso trovão?
Fusão de sons costurando a harmonia sem sentido da sopa-elemental
Orquestra primordial por tempero
Iguaria química da incógnita agnóstica
As leis do Universo são confusas pela variedade
Será que o primeiro ente adveio do ventre-livre do H2O?
De onde viemos?
Para onde vamos?
Não importa
Estamos e basta
Desaguaremos no rio biológico do genoma
Torrente a fluir nessa teoria bela
Nosso código genético foi escrito pelo elétron do eletro magnetismo
Banhado em termo-dinâmica?
Somos a amalgamação de gotas ao longo dum fio
Presas numa teia de dominância e recessividade hereditária?
A heresia científica ou cosmológica tem faixa-etária?
Nossos conflitos étnicos
Nossas confusões
Meros pecados naturais
Mas os ateus não pecam
Estamos livres do Pecado Original
O Inferno é a morte
Todavia, ele é só mais uma via-láctea
Para a conservação da massa
Ainda não creio no big-bang
Só vejo a aquarela

Ateu Poeta
19/04/2009

62
TANGO

Todo vínculo é uma prisão
A vida não tem mesmo razão de ser
Então, pra que prender-se a algo ou alguém

O homem é um ser contraditório
Quando está livre quer prender-se
E uma vez preso chora o enferrujar das asas

Muito do que existe ilude
O mundo é uma casa nada firme
O único sentido é estar livre
Ou pelo menos tentar

Uma vez que a liberdade plena é inatingível
Tenha pelo menos o pensamento imbatível de um questionador
Deixe as amarras pra trás
Mesmo que só as intelectuais

O intelecto é um lugar indetecto
Onde podemos fingir liberdade
Esqueça!

Vícios, virtudes, rostos
Latitude , longitude e a História
Viver é a única glória


Nada faz sentido
Então sinta
Tudo o que tiver que sentir
Se permita

Baile um tango com a felicidade
Voe sobre o sonho dos incrédulos
Creia em si quando todos duvidarem
Esqueça a fé daqueles que não criam
Esculpa arte no ar

Fantasie
E esqueça tudo
Pra recomeçar

Ateu Poeta
Agosto/2010

63
FEMME NUE

Dame de nuit, et la essence de la vie!
L'eau de ma vie, oh bacante!
És via que o viking não atravessou
Estás vestida de poesia em my sonis
"Quando canto le mi cansione"
Mio coracione já não sabe em que idioma parlare
Mas navegou, "u'nonda come in nel mare"
Maré de amore piu vicine
Femme nue, per te tutti el universi cambierá
E emudecerá per que todo Peter Pam amadurece
A poesia mais singela carece de musas na passarela da musical literatura que alitera, literalmente o litoral
Ceará, sertão, sei lá!
Ser tão cosi come l'art
Sem explicación que la quitarra scriviré vicine à cárdio
"Mavo depoi, basta um soriso" and the peace is reality show
Na hightway das letras que te escrevem, acelero
Pero my pensamiento, "a cantare una cancione que non sai come fa", pára ou parece que fotografa a mesma criatura a todo instante
És, em si, a beleza
A pena que não te contemple não merece entrar no templo da cintilante poesia
Perco-me em tuas curvas
Mas, sem elas, só a nostalgia paira reta no ar

Ateu Poeta
Fortaleza-Ceará
21 de agosto de 2010

64
DESDELIRIUM

Delirium
Delusion
Delírio

Deus: é a ilusão pela qual a humanidade vive tão dividida, movida por guerras insanas, por que alguém criou a divindade e nunca a matou ou lhe deu criptonita, mas a pedra seria outra até: a descriptonizadora de mistérios. Aí sim, estaríamos desmistificados, sem cabresto, portanto, mais pacíficos e saudáveis.

Porém, não é rentável ser ateu, pois o mundo capitalista precisa de escravos sanguinários, zumbis nas sextas-feiras 13 que assombrem outros futuros zumbis e daí por diante.

A delirante fábrica febril arrecada dinheiro em meio a escândalos e crimes infindos que serão sempre justificados pela fé.

Descriptonize-se. Desdelire. Desfabrique a lavagem-cerebral que fizeram em você por toda a sua vida.

Esqueça a guarida ficcional. Desmistifique-se. Desacredite por um minuto, mesmo que retorne ao antigo modo de pensar. Vale à pena desprender-se para desenganar-se um pouco.

Desaprisione-se. Desfigure as figuras míticas implantadas em sua mente pela cultura. Desaculture-se se preciso for. Ser acultural é melhor que ser aculturado.

Desaprenda para desprender-se do vão. Deslembre para olvidar o que já deveria ter esquecido.

A busca pelo sentido requer reflexão.

Faça auto-análise. Seja o mais independente quanto possível e verá que não é crível a verdade que tanto pregam.

O que é veraz assim permanecerá sem que importe se celebram. Não seja mais o mesmo de antes.

ATEU POETA
Pacoti-CE, 26/10/2010 4h e 14 min

65
DANÇARINA DAS ESTRELAS

Tua boca é o único firmamento
Que o ateu desejaria
Teu seio é o diadema da vida
Abraçar-te é a solidão a dois
Que dá sentido ao universo
Habitas cada verso
De minha simples poesia
Porque és essência do verbo
E adjetivo do substantivo surreal
Por vezes, nostalgia
Mas, também, paliativo sem igual
Para cada noite fria
És cobertor sem rival
Dançarina das estrelas
Tua voz é eufonia
Foz de toda a gama literária
O balé-cósmico de teu corpo
É a mais doce euforia
Sine qua non o poeta sumiria
Nobre inspiração das belas-artes
Símbolo feminil da completa maestria
Consoante à indecifrável beleza natural
Quanto à transcrição da letra harmônica
És a mais comovente melodia
Da orquestra filarmônica

ATEU POETA
Pacoti-CE, 16/10/2010
5h e 5min 

66
ELIXIR

Teu beijo é sinfonia
Para os ouvidos dos meus pensamentos
Tuas dores são lamentos
Que desejo balizar
A cadência de teu corpo
Reverbera
Em meu olhar
Magnetizado
Por teus olhos álgidos
Calmos
E poéticos
Não te posso olvidar
Pois tamanha beleza
Faz da dissonante natureza
Addictu
De tua uníssona imagem-emplastro
És femme-astro
Na antropoética da vida
Monocórdio do sentido cosmológico
Na desvairada razão do existir
Elixir da poética
Ou guarida literal
Talvez, aporética
E musa teatral
Da mesma melodia
O diamante parodia
A cintilância
De teu rosto alvo
Teu coração
É meu desiderato alvo
Será que tenho pontaria?
Teu sorriso, então, me encandeia
E me incendeia de fantasia
Seduz em cadeia
Na tênue teia do lirismo
Até teus aforismos
São centelha de poesia
O universo sem ti
É centeio
Que não floria

ATEU POETA
Pacoti-CE, 2h e 45min.
16/10/2010

67
DUBLÊ

Adoro a dor, às vezes, por que nela se esconde a pérola
Aquela pela qual o escafandrista escarafuncha o mar
Por vezes colhe algo mais raro até
Mas nem sempre o belo está tão longe
Ou se esconde em paços tão profundos
Do lugar comum também brotam flores
E cabe ao bom jardineiro a técnica de bem cultivá-las
Eis que o jardim da poesia surge
A dor de que falo não é verdadeira
Por que faltariam letras para descrever o que sempre se sente
E nem todo sentimento aduba o lirismo
Logo, o poeta precisa atuar, mesmo longe dos palcos
Sentir pelos outros, chorando o pranto alheio
Da lágrima emprestada chovem pérolas
E o dublê-escriba vira contador de histórias
Brincando de confundir realidade com ficção
Quando tudo o que importa é a convicção

ATEU POETA
1h e 30 min
15/09/2010

68
OLHOS DE FOGO

Teus olhos de fogo me deixam febril
Em tuas madeixas mora um rio que fascina
Tuas curvas são um jogo de loucura
Rosto, regaço, cintura, quadril... Nada mais que formosura

Juras que serás minha, guria?
No dia em que não fores fugidia
Viveremos felizes em flores
Neste país ou em Singapura 

Ou na Europa, sob mil cobertores
No swing que a vida deixar
Na sina que pudermos traçar
À sorte de cada esquina

O lago sorri para a estrela cadente
Divago, porque em ti está o meu norte

ATEU POETA
10/09/2012

69
RED BULL

Red Bull não me deu asas de cera 
Nem Coca-Cola explica a minha geração
La belle de jour não curte blues
Seus olhos azuis nem se apaixonam

Mas derretem qualquer coração 
Minha guitarra quebrou ao som de Scorpions
Perdi a escala harmônica
Desencontrei a prima-donna

Mônica nem Madonna nenhuma apareceu
O azul do céu retrocedeu na voz de Carla Bruni
Será patriotismo um quartel?
Ou o mundo que é um grande cartel de grades astronômicas?

Depois do capitalismo qual o sistema que virá?
Quem viver verá a nova caverna de Platão?

ATEU POETA
10/09/2012

70
TRAGÉDIA GREGA

Não tenho tempo para tuas gregas tragédias
Em tua leve imaginação fugaz
Nem dou cartaz às macabras comédias
Fazer a média não será eficaz

Romantismo barato não me faz a cabeça
Não me importa teu às na manga
Quiromancia nunca me pôs rédeas
Cada um manda na própria jornada

A estrada aberta leva a vários caminhos
Há mil espinhos em cada highway
Mas sei que também existe carinho
Nunca estará sozinho quem tiver amigos de verdade

Músicas, livros e a poesia da serra
Zeus que fique com suas guerras

ATEU POETA
10/09/2012
 
71
         PEREMPTÓRIA

Teu corpo é caro papiro
Piro se miro teus olhos raros
Firo sentimento que respiro
Afiro desiderato suspiro

Prefiro nada dizer
Com que sonha o teu ser?
A descrição não escreve o momento
A sensatez que me refiro de quem será criação?

Cautela demais faz fenecer  
Para que paro se o mundo em teu seio é canção?
Poeta sem amparo à mercê da tua inscrição
Quem dera ser protagonista de tua trajetória

Tornar real o desatino sem discrição dessa história
Ser poesia peremptória em teu coração

ATEU POETA
2:00
26/05/2012

72
ALICE

 Alice volta do seu maravilhoso país
    Vai jogar xadrez no mundo dos espelhos
    Depois de virar rainha retorna de costas
   Nada demais atrás do espelho que uma lâmina de prata

    Mas quem nunca sonhou com o diáfano mundo?
    Este poeta já temeu o mundo por trás do reflexo aquático
    Medo de cair e não poder sair
    Tolice que na infância ficou

    Hoje outra prisão me adestrou
 São tantas cavernas de Platão que desejo e renego
 Sonego alguns sonhos e insisto nos mais viáveis
 Aprendendo a ser rei e a me libertar aos poucos

 A pregar num deserto rouco
 O mundo ainda é muito pouco

ATEU POETA
5:53
26/04/2012

73
ODE AO IMPOSSÍVEL

Impossível é a palavra de quem desiste
Aquele que insiste faz
Perseverança é o ás na manga
O artifício mais eficaz

Pessimismo só cava fracasso
Na visão de curto prazo se escondem erros
Maiores que o do Crasso romano
Na batalha da aniquilação

Aníbal derrubou uma tropa maior
5 mil derrotam 50 mil em um feito incrível
Uma impossível missão concretizada
Tudo proporcionado pela aposta no novo

Uma batalha sem medo
Na aplicação de uma estratégia que nunca antes se fez

ATEU POETA
18:05
22/04/2012

74
VINHO TINTO
Levou para a rua o carnaval que se escondia no último copo de vinho
Baco tocava seu lírico violino
Thanátos o ajudou a levantar-se
Conversaram à noite inteira

Até que o deus embriagou-se
Vieram mil nereides
Mais belas que as gregas
Nessa hora o sol bateu-lhe nos olhos

Com uma força brutal que o cegou
Acordou nu
Ao meio-dia
Em alto mar

Sem ar
Nem ideia de como fora naufragar

ATEU POETA
14:10
15/04/2012

75
CORRENTES DE OURO

Perseguição política é ato covarde
De quem morre de medo de sair do trono
Por que o poder não é dado aos competentes?
Quem implanta o terror chorará ao cair

Sem talento é fácil sucumbir
O cabresto no voto é uma vergonha cultural
O progresso só existe onde a mentalidade muda
Retrocesso não dá ajuda a quem precisa

Negócios escusos movem o país
Rabos presos em correntes de ouros
Poucos quilates
Muitos que ladram

Todos se mordem
E a máfia nunca muda, porque ninguém se move

ATEU POETA
1:44
13/06/2012

76
O BEIJO DO VAMPIRO

Estamos fadados a viver tudo o que é incompleto
Conto sem fadas
Dialeto que Portugal muda
Não há como viver sem ser artista

Mesmo o espírito mais livre vive em suas próprias prisões fascistas
Sexta-feira 13 dos vampiros, zumbis e lobisomens
Presos por pastéis de carne humana
Jornalistas demitidos por sindicalismo

Alguns querem beijar muito
Outros com medo do Demo e dos gatos pretos
Fortaleza comemora aniversário
O planalto homenageia Valdomiro e Malafaia

Aborto dos acéfalos ainda em votação
Enquanto a maioria só quer drogas, sexo e rock n’roll

ATEU POETA
15:31
13/04/2012

77
RETÓRICA

Um dia olharei para trás com saudade na lapela
A mocidade tão bela que não dura
Quem dera a pura madrugada fosse jornada infinda
E a vida à deriva no seu coração não se perdesse para a imensidão do nada
Ainda uma sonata doce brilha no seio do seu olhar parasita
Que em cada sinapse transita
O universo vaga nos espelhos profundos deste semblante que enfeitiça, oh, linda!
Onde a poesia nada nua enluarada de paixão mais infortúnia
Uma betúnia nasce na aba de quem cobiça
Larissa laça com um sorriso a quem profere
Um alqueire dessa boca fere ou mata de amor
Será Rosa a flor que procuro?
Ou Júlia que me salvará do escuro eterno?
A noite me cobrirá com seu terno nobre
Sem sonhos que cobrem a luz por ouro ou cobre
Momento em que a pluma se perderá para sempre em criptografia histórica
Então, de que serviu tanta retórica?
Pois a vida não é arte pictórica

ATEU POETA
00:47
02/04/2012

78
ODE À POÉTICA

Ninguém nasce poeta
A poesia não existia
Foi caminho que forjei
Sem dom especial

Não era bom
Mas embarquei no ideal
Me inspirei em professores e livros
De cabeça na poética me lancei

Argonauta de outros tempos me fiz
Finquei raiz
Acreditei

Ser poeta foi a sorte que sonhei
E persisto para sempre navegante
No mundo de Dante me encontrei

ATEU POETA
23/03/2012
18:50

79
METAFORIZE

O poeta tem que perder o medo
Não há segredo na poesia
Nem se engane, não há dom
Apenas pegue a pluma
Metaforize a dor
Transforme nostalgia em diamante
Faça da neve calor

ATEU POETA

80
VAZIO
Nenhum barulho matará o vazio dentro de ti
A embriaguez não te fará esquecer de quem és
Por que o silêncio que tu sentes é bem maior que isso tudo
Muito maior que o mundo
Nem o universo apraz 
Fingir-se pelo avesso não caberia
Se soubesses de fato o que fazer ou onde ir
Um carnaval de festas para suprir 
Tudo o que a cultura nos nega
O que nos falta se celebra sem saber
A alegria realmente é vital
Mas da vida real não se esqueça
É fácil demais perder a cabeça
Recuperar nem sempre é possível

ATEU POETA
18/02/2012

81
ESCURIDÃO PROFUNDA

Acendi uma vela em meu coração
Para velar a escuridão que teu sorriso deixou ao partir
Num barco à vela à deriva
Velejando a poesia da vida

A saudade é uma ferida que nunca sara
Fica sempre mais profunda e cara
De amizade rara vira abismo
Um ostracismo da razão

Teus olhos serão flores no infinito
A ideia imortal de ti é que me dá a luz do dia
Uma estrela nova nasceu no céu
Plantei mil plêiades e pulsares

Em meu branco chapéu
Pra fazer pulsar a explosão de uma nova Via Láctea

ATEU POETA
17:27
23/04/2012

82
MATILHA DELTA

Antônio & Pantoja
Uma Cachoeira inaudível
12 milhões em corrupção
Lobos e lobistas trajados de calada matina

Comissão sob Inquérito no Parlamento
A Ficha Limpa cria rugas
Investidura de tartaruga
Mesada vai e vem

Fernando Cavendish
Deputados estarão à venda?
Bet Company e outros fantasmas
A ferir os cofres da Fazenda

Denit foi às compras?
Veja as laranjas do Tesouro Nacional

ATEU POETA
17:57
24/05/2012

83
A FLOR DO MAL

      Safado sempre se safa
       Safanão na orelha do inocente
      A lei ausente não se sente violada
      De flor em flor defloram sua mente

       Idiossincrasia parlamentar para celebrar
       Quem constrói o congresso tão vil?
      Quantas vezes mais irão descerebrar em cadeia?
       Somos a base dessa teia demente de mentiras

      Cidadão que morre de promessa em promessa
   E quem viu?
   À mesa só os mais sublimes da corrupção
  E seu coração os escolhe

   Qual o problema?
 Agora colhe a canção de uma democracia às avessas

ATEU POETA
4:05
24/04/2012

84
ANTI-PSIQUÊ

Não tenho braços tão largos que abarquem tudo que preciso
Nem pernas tão rápidas que alcancem o que quero
Ou olhos tão hábeis que mirem somente o vital
Mais uma ave que voa para longe do ideal
Minhas asas se encorujam no ostracismo da razão
O frio da solidão me acerta forte o peito
Os sentimentos são leito rarefeito
Sou máquina sem cura
Na torturante loucura de ser homem
O universo é um cárcere gigante de vácuo e hidrogênio
Ando preso na poesia de mim mesmo
Um poeta a esmo na maresia do sonhar sem fim
A procura da daymon ou Nefertári
Uma anti-Psiquê que vá de deusa à mortal
Desafiando o portal de tudo o que fora surreal
Contrariando a prisão da matéria
Que faça da paixão bactéria
Sem antídoto
Sem sentido
Com o trágico torpor de nunca acordar
Ou que sane de vez essa prima carência
Antes que a estrela me resgate a subir
A poeira-cósmica matará qualquer tristeza
Não mais a ausência desfará a fortaleza
Nem a consumirá
Apenas sumirá tudo que um dia fui
Flui a vida para o fluido da essência
 A carência não mais terá urgência a suprir
Não existirá sorriso
E nenhuma lágrima irá cair

ATEU POETA
07/03/2012

MINE BIOGRAFIA DO AUTOR:

Ateu Poeta (Aroldo Filho) :

  • Historiador, Professor, Poeta, Blogueiro e Jornalista Independente.
  • Nascido em Pacoti-Ceará em 1º de abril de 1986.
  • Estudou no Jardim na Escola Menezes Pimentel, da alfabetização à 8ª série no Instituto Maria Imaculada em Pacoti. Fez cursinho no Evolutivo em 2005 em Fortaleza. Em 2006 iniciou estudo em Administração na Faculdade Evolutivo em Fortaleza, fazendo ainda um pouco mais de um ano e abandonou para fazer novo vestibular em Pacoti na UVA-Universidade Estadual Vale do Acaraú, onde criou o Jornal Delfos no primeiro dia de aula em 2007 com mais dois colegas e formou-se em Licenciatura Plena em História em 2010. O Jornal Delfos foi impresso 13 vezes até agora e será doravante feito em PDF, fora os sites e o blog. Continuam como Presidentes iguais e Criadores e Idealizadores Ateu Poeta e Cristiano Viana Silveira (não é o mesmo Cristiano que cito na dedicatória).
  • Praticante de alguns esportes como: 


  1. Xadrez, participando do 2º Campeonato de Xadrez de Guaramiranga em 2013;
  2.  Futebol, participando de 3 campeonatos em Pacoti, no primeiro o time só perdeu, no segundo o time foi desclassificado do Festal por ter quase todos os jogadores maiores de 18 anos, ele com 16 anos, ganhando ainda a primeira partida por W.O. e no terceiro campeonato seu time ganhou todas as partidas levando apenas um gol, terminando em 3º lugar e só o goleiro ganhando medalha; 
  3. Basket, desde o Instituto Maria Imaculada, passando pelo cursinho no Evolutivo e de volta a Pacoti fez parte do 1º torneio de basket em Pacoti na quadra do Pólo de Lazer e do 1º torneio de baket meia-quadra também em Pacoti. Fez parte do time de Pacoti de basket em 2008; 
  4. Vôlei pouco jogou
  5.  Hadball pouco jogou; 
  6. Capoeira, desde os 14 anos;
  7.  Karatê, onde tirou 2ª faixa em Baturité em 2012; 
  8. Muay-Thai, nível iniciante; 
  9. Krav-Magá, nível iniciante 
  10. E 4 cursos de Defesa-Pessoal.

    Consertou a idade do Município de Pacoti, retirando um erro de 48 anos para menos, inicialmente questionando no Jornal Delfos-CE Impresso 2ª Edição em 2008.
  • Criador e Presidente e um dos Idealizadores do Jornal Delfos-CE, (2007).
  • Criador e Idealizador da Associação Cultural SEMPRE-Segmento dos Estudiosos da Memória e Patrimônio Regional da Serra de Baturité (2008)
  • Criador e Idealizador do 1° Arquivo Público do Interior do Nordeste (2009).
  • 2° e 4° lugares, consecutivamente, no 1° e 2° concursos de poesia da comunidade do Orkut "Vamos Escrever um livro?"(2009 e 2010)
  • Criador, Idealizador e Curador da Exposição Histórica: "PACOTY: UMA HISTÓRIA EM DOCUMENTOS", aprovado pelo Banco do Nordeste (2010).
  • Formou-se em Licenciatura Plena em História. (2010).
  • Sócio do Instituto Desenvolver (2011).
  • Trabalhou para o Governo do Estado do Ceará como Pesquisador no Porto do Pecém (2011).
  • Ministrou aulas de História, Geografia, Arte e Religião em Pacoti (de 2008 a 2011 no Colégio São Luís e na Escola Menezes Pimentel).
  • 2° Lugar em concurso de pensamento na comunidade "Grupo de Poesia" no Facebook (2012).
  • Publica notícias, contos, crônicas, poesias, fábulas, romances, artigos, peça teatral e letra de música em 22 blogs desde 2005.
  • Foi candidato a vereador pelo PT em Pacoti em 2012, tendo 51 votos.
  • Atualmente publica em 10 páginas no Facebook e também em alguns grupos; destacando-se o grupo Nova Ordem da Poesia que nasceu no Orkut e agora tem grupo no Facebook e blog com vários poetas escrevendo em parceria.
  • Participa de 2 e-books pelo Balcão de Poemas: "Por onde andei?", "Quem sou?"; organizados pelo poeta gaúcho Wasil Sacharuk.
  • Lecionou História e Geografia na Escola Linha da Serra (Guaramiranga-CE) 2015.
  • Recebeu a Comenda Domitila de Honra ao Mérito em 2016, da SECULDT-Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto de Pacoti. (2016).
  • Selecionado para o Prêmio CNNP da Editora Virara-Concurso Nacional Novos Poetas- Com a poesia "A formiga e a cigarra" que tem uma versão musicada pelo cantor Alex Dias (2016).
  • Concluiu Pós-graduação em Gestão Escolar (2016).